sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Cananéia

Ilustr. Maria Eugênia

O Luiz  Antônio, responsável pela Biblioteca Municipal de Cananéia, e a Jaqueline na porta da biblioteca.
As crianças e adolescentes no maior zumzumzum... Cheguei um pouquinho atrasada, entrei correndo. Cerca de 200 pessoas estavam ali na pequena, mas bem aconchegante biblioteca. Em volta de todos nós, os livros. Quietos. Quietos?  Talvez numa "silenciosa algazarra",  citando o titulo da publicação de ensaios sobre livros e leitura, de  Ana Maria Machado, chamado "Silenciosa Algazarra".
As crianças, muito participativas, ouviram atentas o primeiro poema que li sobre uma terrível bruxa ( do meu livro "Poemas para Assombrar). "Meia noite, escuridão./ Sopra o vento,/ escura sombra,/fio de voz,/ bizarro som (...)". E, provocando certos arrepios e trazendo a noite misteriosa para aquela sala clara, o encontro seguiu num ritmo intenso,  mas com muita concentração. As crianças levantavam as mãos e iam contando enredos de histórias e personagens preferidos. Até que uma turma grande precisou ir embora porque a escola era muito longe. Daí, ficaram umas 30 crianças, nem tão crianças assim. E o papo foi mais fundo, falamos sobre a relação que a gente vai estabelecendo com a leitura. Quando perguntei o que era um texto bom,  uma menina, ( pena não lembro o nome dela), mas, bem, uma menina, já com seus 13 anos, disse que gostou muito de um texto, da Ana Maria Machado, que narrava a história  de duas primas, muito amigas, apaixonadas por um mesmo menino. E eu perguntei para a garota: E por que o texto é bom? E ela, pensando bastante, disse: acho que a autora sempre dá muitos detalhes...  Eu completei que as boas narrativas apresentam, constroem personagens e enredos que parecem tão reais, tão próximos de nós leitores. Narrativas que quase respiram.... E essa qualidade se dá justamente pela  forma como o texto é realizado, "do como", não apenas do "O que".
E, assim, seguiu  o papo com muitos momentos de silêncio. Pelo que percebi, os leitores, ali, não queriam ir embora. Nem eu.  Mas era tarde. Hora da despedida. Foram-se todos.
Para minha surpresa, na sala ao lado... um delicioso café com bolo . Começaram outras histórias. Lendas e mitos da região apareciam na voz do Jamilson, que gosta muito de poesia, e, inclusive fez uma sobre o nosso encontro que  tinha acabado de acontecer na biblioteca. Sai de lá, sabendo de como enfrentar uma onça no escuro, e que jacaré pia...

A estrada foi mansa, tranquila, cercada de mata e bananeiras.

9 comentários:

  1. Luiz Antonio Grosso23 de setembro de 2011 17:16

    Olá Carla, foi um prazer imenso ver o nome de Cananéia em seu blog, temos as melhores das lembranças de sua passagem aqui por Cananéia, aquela manhã está em nossas memórias!!! Só para lembrar, o nome da garota de 13 anos que você citou é Carol, e cá entre nós, sem ninguém ouvir...quem pia é a onça!!!

    Abraços!!! Volte quando puder, será um prazer recebê-la novamente!!!

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  2. Luiz Antônio,

    Que bom lembrar o nome, sempre lembro da pessoa, mas o nome, às vezes, fica difícil. E o livro que ela leu e gostou chama-se: "Isso ninguém me tira".
    Bem, o encontro foi bem marcante mesmo!
    E se pudesse teria passado mais um dia em Cananéia. Ah, claro que depois de tanta história, fui visitar o tubarão no museu de vocês. Impressionante o tamanho. E achei muito interessante a peça que servia para fazer a mistura do calcário com o óleo de baleia para a construção no período colonial.

    Ah, é a onça, então...

    Abraços a todos.

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  3. Oi Carla? Tudo bem?
    Aqui na cidade todos ainda comentam sobre o encontro.
    Oi Carla? Tudo bem?
    Aqui na cidade todos ainda comentam sobre o encontro.
    Espero revê - la.
    Você gostou das histórias que ouviu aqui né?
    Sabe, aquela poesia que eu fiz pra você, eu não postei aqui por que eu não lembro como era. Eu fiz ela na hora e não fiz cópias. Se você puder postar para o pessoal de Cananéia ver eu agradeceria.
    Abraços!!!

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  4. Poema de Jamilson de Paula Alves

    À Incrível escritora

    Querida Carla Caruso
    Escritora tão especial
    A equipe da Biblioteca agradece
    Por esse dia sensacional.

    Com a Viagem Literária
    Pudemos nos encontrar
    E ficamos muito felizes
    Por seus textos escutar.

    Adoramos o encontro
    Pois muito nos alegramos
    Por ter uma Incrível escritora
    Na Biblioteca Eduardo Boechat Ramos.

    Espero que tenhas gostado
    Espero estar contente
    Com o acolhimento
    Do público que se fez presente.

    Obrigado pelo encontro
    Aqui neste lindo dia
    No qual encantados ficamos
    Com suas lindas poesias.

    Leve junto com você
    Esse agradecimento
    E espero que nos guarde
    Junto aos seus pensamentos.

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  5. Carla, voce e seu trabalho foram inspirações para Jamilson criar esse poema! Como ele disse em seu comentário, desejamos vê-la novamente em Cananéia, quem sabe para um novo bate-papo ou até para uma oficina, seria muito bom! Espero que a apresentação de hoje na Biblioteca São Paulo tenha feito sucesso!
    Abraços!

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  6. oi Carla?
    Obrigado por postar a poesia.
    Luiz disse a verdade, você me deu inspiração naquele momento para criar essa poesia.
    Sabe! Adoro escrever sobre o momento,porque ele nunca volta. Pode acontecer de novo, mas de uma maneira diferente, e são essas maneiras diferentes que tornam meus poemas diferentes, entende? rsrs
    Abraços!!!

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  7. Olá Carla, se voce quiser saber mais sobre a história de Cananéia acesse o blog: http://cananeiapovoadomaisantigodobrasil.blogspot.com,
    lá você terá mais informações sobre as histórias elendas de Cananéia...saci, onça, dilúvio, etc;
    Abraços,
    Luiz.

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  8. Obrigada pela poesia e pelo carinho, Jaqueline, Jamilson e Luiz, equipe pra lá de boa, inteligente e animada para fazer as pessoas da cidade frequentar muito a biblioteca.
    E lá vou eu ler as tantas histórias do povoado mais antigo do Brasil! Abraços.

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  9. eu ja escutei piar no mato. E era jacaré...

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