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| Ilustr. Maria Eugênia |
O Luiz Antônio, responsável pela Biblioteca Municipal de Cananéia, e a Jaqueline na porta da biblioteca.
As crianças e adolescentes no maior zumzumzum... Cheguei um pouquinho atrasada, entrei correndo. Cerca de 200 pessoas estavam ali na pequena, mas bem aconchegante biblioteca. Em volta de todos nós, os livros. Quietos. Quietos? Talvez numa "silenciosa algazarra", citando o titulo da publicação de ensaios sobre livros e leitura, de Ana Maria Machado, chamado "Silenciosa Algazarra".
As crianças, muito participativas, ouviram atentas o primeiro poema que li sobre uma terrível bruxa ( do meu livro "Poemas para Assombrar). "Meia noite, escuridão./ Sopra o vento,/ escura sombra,/fio de voz,/ bizarro som (...)". E, provocando certos arrepios e trazendo a noite misteriosa para aquela sala clara, o encontro seguiu num ritmo intenso, mas com muita concentração. As crianças levantavam as mãos e iam contando enredos de histórias e personagens preferidos. Até que uma turma grande precisou ir embora porque a escola era muito longe. Daí, ficaram umas 30 crianças, nem tão crianças assim. E o papo foi mais fundo, falamos sobre a relação que a gente vai estabelecendo com a leitura. Quando perguntei o que era um texto bom, uma menina, ( pena não lembro o nome dela), mas, bem, uma menina, já com seus 13 anos, disse que gostou muito de um texto, da Ana Maria Machado, que narrava a história de duas primas, muito amigas, apaixonadas por um mesmo menino. E eu perguntei para a garota: E por que o texto é bom? E ela, pensando bastante, disse: acho que a autora sempre dá muitos detalhes... Eu completei que as boas narrativas apresentam, constroem personagens e enredos que parecem tão reais, tão próximos de nós leitores. Narrativas que quase respiram.... E essa qualidade se dá justamente pela forma como o texto é realizado, "do como", não apenas do "O que".
E, assim, seguiu o papo com muitos momentos de silêncio. Pelo que percebi, os leitores, ali, não queriam ir embora. Nem eu. Mas era tarde. Hora da despedida. Foram-se todos.
Para minha surpresa, na sala ao lado... um delicioso café com bolo . Começaram outras histórias. Lendas e mitos da região apareciam na voz do Jamilson, que gosta muito de poesia, e, inclusive fez uma sobre o nosso encontro que tinha acabado de acontecer na biblioteca. Sai de lá, sabendo de como enfrentar uma onça no escuro, e que jacaré pia...
A estrada foi mansa, tranquila, cercada de mata e bananeiras.